Com um mercado de trabalho aquecido e a taxa de desemprego nas mínimas da série histórica e o rendimento em alta. Assim está o Brasil. Ainda assim, as famílias convivem com o orçamento apertado e o aumento do endividamento. O contraste aparece em dois indicadores divulgados na última terça-feira, dia 29. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que a taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto, com recorde na população ocupada: 103 milhões de pessoas.
Ao mesmo tempo, dados do Banco Central (BC) mostram que a taxa média de inadimplência nas operações de crédito subiu para 5% em agosto. É o maior patamar desde o início da série histó-rica, em março de 2011.
Para economistas, o mercado de trabalho tem ajudado a sustentar a renda e o consumo, mas a manutenção dos juros altos por tanto tempo empurra a economia na direção oposta: desacelera a atividade e, com o crédito mais caro, contribui para o aumento da inadimplência.
O IBGE também mostrou que o crescimento recente da ocupação ficou concen- trado em setores específicos, como construção e indústria, enquanto os demais ficaram estáveis.
Segundo o IBGE, a taxa de desemprego ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto, queda de 0,3 ponto percentual (p.p.) tanto em relação ao trimestre encer-rado em maio quanto ao mesmo período de 2025. Nos dois casos, a taxa era de 5,6%. Ao todo, o Brasil tinha 5,8 milhões de pessoas desocupadas no período.
A população ocupada, por sua vez, atingiu 103,5 milhões de pessoas, o maior nível da série histórica. O número representa alta de 0,8% no trimestre (mais 774 mil pessoas) e de 1% no ano (mais 1,1 milhão).
Segundo o BC, a taxa média de inadimplência nas operações de crédito subiu de 4,9% em julho para 5% em agosto, o maior patamar desde o início da série histórica da instituição, em março de 2011.
O indicador de inadimplência do Banco Central considera operações de crédito com mais de 90 dias de atraso, tanto de pessoas físicas quanto de empresas. Entre as pes-soas físicas, a inadimplência subiu de 5,8% em julho para 6% em agosto, o maior patamar da série histórica. Já entre as empresas, a inadimplência ficou estável em 3,3% no mês passado, o maior valor desde outubro de 2017 (3,4%).
“No contexto atual de incerteza, o Comitê reitera que a magnitude do ciclo de [definição dos juros] será ajustada à luz da evolução do cenário, de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, afirmou o comitê no documento.
Em seu último encontro, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano, no quinto corte consecutivo da taxa.