A autenticidade das bebidas foi colocada em xeque após os casos de intoxicação por metanol registrados ao longo de 2025, casos estes que deixaram ao menos 25 mortos no país e levaram autoridades de saúde a emitir alertas. O tema, antes mais associado aos prejuízos econômicos da indústria e ao comércio ilegal, passou a envolver diretamente questões de saúde pública e fez a indústria de bebidas alcoólicas tomar medidas.
Em uma delas, na última terça-feira, dia 15, a Diageo, fabricante de bebidas e dona de marcas como Johnnie Walker e Smirnoff, anunciou uma solução feita em parceria com a Securetrace, empresa especializada em tecnologias de segurança usadas em documentos oficiais e sistemas de prevenção a fraudes, para verificar digitalmente a origem das bebidas da companhia.
A proposta é simples: o consumidor aponta a câmera do celular para um selo na embalagem, e o sistema informa se a garrafa foi identificada como autêntica. A implementação, por enquanto, está restrita ao mercado brasileiro e abrange categorias que historicamente registram casos de falsificação, como uísques, vodcas, gins, tequilas e licores.
“O selo é muito claramente para o consumidor, no sentido de resgatar a con fiança, de ele conseguir ter autonomia e visibilidade daquilo que está consumindo. Também é uma maneira de dar credibilidade para o estabelecimento”, afirmou a presidente da Diageo no Brasil, Paula Lindenberg.
Cerca de 4 milhões de garrafas já recebem o selo por mês. A tecnologia está presente em 100% do portfólio importado e na Smirnoff engarrafada no Brasil, o que corresponde a 95% do negócio de destilados da companhia no país.
Segundo a Securetrace, o selo usa a mesma tecnologia presente em recursos de proteção do passaporte brasileiro, das cédulas de euro e dos elementos holográficos da nota de R$ 100. Cada selo recebe uma espécie de impressão digital exclusiva, invisível ao consumidor, formada por padrões microscópicos que criam uma identificação única para cada uni-dade. Segundo a empresa, existem mais de 27 trilhões de combinações possíveis.
Quando a câmera do celular é apontada para o selo, uma inteligência artificial analisa o padrão e o compara com o banco de dados do sistema. Se houver correspondência, a autenticidade é confirmada e a plataforma exibe a mensagem “Verificado”.
Ainda assim, especialistas destacam que nenhuma tecnologia é capaz de eliminar completamente a falsificação. Fiscalização, investigação policial, cooperação entre empresas e punição de grupos criminosos continuam centrais para reduzir a circulação de bebidas adulteradas.
A expectativa é que a mudança facilite a identificação do uso irregular do produto e reduza sua utilização em esquemas clandestinos de adulteração de bebidas.
As propostas ainda precisam passar por etapas regulatórias e avaliações técnicas, incluindo análises sobre eventuais impactos em veículos e motores.
O avanço dessas discussões mostra que o combate à fraude não depende de uma única solução.
Enquanto órgãos públicos tentam dificultar o acesso às matérias-primas utilizadas por fabricantes clandestinos, empresas investem em sistemas de autenticação, rastreamento e compartilhamento de informações com autoridades.
Ainda assim, especialistas destacam que nenhuma tecnologia é capaz de eliminar completamente a falsificação. Fiscalização, investigação policial, cooperação entre empresas e punição de grupos criminosos continuam centrais para reduzir a circulação de bebidas adulteradas.
“A preocupação de combater a falsificação é uma preocupação para sempre e é a partir daí que vem a iniciativa desse selo, com uma intenção clara de que episódios como esse nunca mais voltem a acontecer”, afirma Paula Lindenberg, da Diageo.