Consórcio que vai assumir os trens quer o retorno da guarda ferroviária

O Consórcio Nova Via Mobilidade teve confirmada, esta semana, a validade da documentação apresentada em um leilão judicial e foi declarado pelo juiz Victor Agustin Cunha Diz Torres, da 6ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio, como vencedor de uma licitação que o tornou permissionário para operacionalizar o sistema de trens que liga o Rio a outros 11 municípios. A empresa vai assinar um contrato com o estado e, em meados de março, deverá iniciar uma gestão assistida com a SuperVia, atual responsável pelo transporte ferroviário de passageiros. Esta última deverá deixar o serviço após o fim de um período de transição de 90 dias.
O vice-presidente de relações institucionais e governamentais do consórcio, Michel Michalur Filho, disse que a empresa quer melhorar o atual serviço oferecido aos passageiros. Segundo o executivo, uma das ideias que poderão ser discutidas com o estado é a implantação ao longo da via de uma espécie de guarda ferroviária municipal, com custos divididos entre governos estadual e de prefeituras de cidades cortadas pelo transporte.
Com mais de 11 estações que funcionam sob influência do tráfico, e com uma malha ferroviária que passa às margens de 179 comunidades controladas por grupos criminosos, o sistema conta atualmente apenas com o policiamento de agentes do Grupamento de Policiamento Ferroviário da Polícia Militar. A passagem de composições por áreas conflagradas se reflete na quantidade de vezes que, devido à violência, os usuários ficaram a pé em 2025. Só nos dez primeiros meses do ano passado, problemas de segurança pública, como trocas de tiros, roubos e furtos de cabos e vandalismo, provocaram 682 cancelamentos ou interrupções de viagens. Significa dizer que, em média, houve duas ocorrências deste tipo por dia. Os dados das interrupções são da Agência Regu-ladora de Serviços Públicos Concedidos de Transporte (Agetransp).
“A segurança é realmente uma prioridade, trabalhando com o governo esta-dual, o governo municipal, trazendo, inclusive, a guarda ferroviária. Voltar com essa guarda ferroviária que já existiu (nos anos 70) é uma ação muito importante. Daria muito mais segurança para o processo”, disse o vice-presidente.
Ele não detalhou quando o grupo português Barra- queiro, que segundo o consórcio, será subcontratado pela nova Via Mobilidade para operacionalizar o serviço dos trens, deve começar a trabalhar na malha ferroviária do Rio e de outras 11 cidades. A empresa portuguesa é a maior opera-dora privada de transportes em Portugal. E tem presença também em Angola, e no Brasil. No país, atua há mais de 15 anos por meio de concessões de transporte por ônibus nas regiões Norte e Nordeste.

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