Preço do café deve cair este ano, mas não significa que ficará barato

Variedade de cafés em pó à venda em supermercado Local: Londrina - PR Data: 02/2020 Codigo: 28ER565 Autor: Ernesto Reghran

O preço do café foi um assunto muito comentado no ano de 2025. Em fevereiro, ele teve a maior inflação acumulada em 12 meses desde a introdução do Real. Para este ano de 2026, no entanto, a tendência é de queda dos valores — mas isso não significa que ficará barato.
“Apesar do clima ajudar a safra atual, os últimos anos foram marcados por colheitas ruins, causadas pelo calor e pela seca. Com isso, os cafezais ainda não se recuperaram o suficiente para atender toda a demanda”, afirmou o pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), Renato Garcia Ribeiro.
Por isso, a queda dos preços deve ser pequena, como já vem acontecendo. Em agosto, o café registrou um declínio de 0,23%, o primeiro desde dezembro de 2023. “As perspectivas climáticas para a segunda quinzena de dezembro e início de 2026 são positivas: as lavouras estão na fase de florada e a previsão é de chuva, condição ideal para essa etapa da produção”, apontou o gerente da Consultoria Agro no Itaú BBA, Cesar Castro.
Se o volume de chuvas for adequado no primeiro trimestre do ano que vem, os grãos devem se desenvolver bem. Isso pode aumentar a produção brasileira de café arábica e ajudar a recompor os estoques globais. Até lá, porém, a oferta seguirá limitada.
O café arábica é a variedade mais produzida no Brasil, que aguenta uma temperatura entre 18°C e 22°C. Ele é mais popular, por ser considerado mais saboroso.
Apesar das perspectivas melhores, 2025 também trouxe desafios aos produtores. No Cerrado Mineiro, houve geadas e atraso no início das chuvas, apontou o pesquisador do Cepea. Segundo ele, não é possível confiar totalmente no clima. Após boas chuvas no fim de 2024, fevereiro e março deste ano tiveram 45 dias de calor e seca, o que prejudicou o fim da safra.
Ribeiro explica ainda que o café é um cultivo bienal. Isso significa que, após um ano de colheita, a produção do ano seguinte costuma ser menor, porque as plantas precisam se recuperar. Em 2026, muitos galhos ainda estarão em desenvolvimento e só ficarão prontos no verão.

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