Abraãozinho torna o beija-flor um dos símbolos de Nilópolis

A escola de samba que tornou Nilópolis, na Baixada Fluminense, conhecida em todo o Brasil e no exterior, agora é patrimônio cultural imaterial do município; o Beija-Flor tornou-se um dos símbolos oficiais da cidade ao lado do brasão, da bandeira e do hino oficial e a Rua Pracinha Wallace Paes Leme, onde estão localizadas as sedes antiga e nova da escola, passará a se chamar oficialmente Avenida Beija-Flor de Nilópolis. Estas medidas fazem parte do chamado ‘Pacote Beija-Flor de Nilópolis’.
Todas estas mudanças estão nas três leis assinadas na última segunda- feira, dia 7, pelo prefeito de Nilópolis, Abraãozinho David, na Câmara Municipal. O vereador Flávio Vergueiro é autor dos projetos de lei sancionados por Abraãozinho. A aprovação dos projetos, com sua consequente transformação em lei, está publicada nesta edição do órgão do muni cípio, o jornal A Voz dos Municípios Fluminenses.
“Estamos fazendo uma reparação histórica com esse ato. Sempre dissemos que a Beija-Flor não é apenas uma escola de samba, é também uma escola de vida. Ela é a deusa soberana, que tem alma africana”, afirmou o prefeito, em tom poético. Em seguida, Abraãozinho agradeceu aos familiares, especialmente ao tio Anísio Abraão David. “Ele foi o responsável por levar nossa família para a escola”, lembrou.
Abraãozinho ergueu orgulhosamente uma placa semelhante às instaladas nas ruas onde se lia ‘Avenida Beija-Flor de Nilópolis’ e foi aplaudido com entusiasmo pelo público que estava no plenário. Eram, em sua maioria, integrantes da agremiação: participantes da Velha Guarda, Bateria, Ala de Passistas, Baianas, a rainha da bateria, Lorena Raissa e os puxadores de samba escolhidos para ficarem no lugar de Neguinho da Beija-Flor: Jéssica Martin e Cristiano Nunes, o Nino.
Flávio Vergueiro afirmou que estava muito alegre ” Estou em meu primeiro mandato e conseguir algo tão grandioso, me deixa muito feliz. Fico emocionado. A geração que cresceu na cidade aprendeu a admirar a Beija-Flor. Tive uma conversa com várias autoridades, o prefeito, o presidente da Câmara, os deputados Ricardo Abrão e Rafael Nobre. Todos concordamos em fazer essa homenagem à escola que leva o nome de Nilópolis a todas as partes do mundo”, salientou o vereador, líder do governo na Câmara.
Mestre de cerimônias da solenidade, o secretário de Cultura, Antônio Carlos Costa, fez uma retrospectiva da formação da Baixada Fluminense, e em especial da Fazenda São Matheus, que deu origem ao futuro município de Nilópolis, e o surgi-mento da escola de samba. “Após a libertação dos escravizados, eles continuaram na localidade. Há uma história de resistência do povo preto. Primeiro, houve a criação do Bloco do Irineu, depois tornou-se a Beija-Flor, no terreno do sr. Sena, fundada em 1948”, recordou.
A presidente da Velha Guarda de Nilópolis, Débora Rosa Costa, recebeu uma placa em sua homenagem e Selminha Sorriso, primeira porta-bandeira da escola, discursou em nome do presi- dente Almir Reis. “A Beija-Flor representa a resistência cultural, a culinária, a fé e os sonhos do povo preto. O samba é uma forma de resistência. Ainda falta muito para a reparação histórica e social de nosso povo, mas o caminho para a mudança é a educação”, garantiu.
No início da solenidade, logo após a abertura da sessão, os atores: Charon, Thaís Aquino, Caio César e Andreia Veloso, que integram a secretaria municipal de Cultura, encenaram a história da vinda da família Abraão David do Líbano para o Brasil e sua estreita ligação com a fundação e o fortalecimento da Escola de Samba Beija-Flor.
Fizeram parte da mesa diretora da sessão também o presidente, vereador Jorginho Scalise, o vice-prefeito Alvinho, o deputado federal Ricardo Abrão, o deputado estadual Rafael Nobre, o casal Claudinho e Selminha Sorriso, o carnavalesco João Vitor, e os vereadores Armando Paiano, Leandro Hungria e Rafael Regis.
Entre as autoridades anunciadas na mesa ainda esta-vam a secretária de Educação de Nilópolis, professora Flávia Rocha. Outras lideranças importantes da agremiação estavam no plenário: os diretores de bateria Rodney Ferreira e Plínio de Moraes, o diretor dos passistas, Francisco de Assis, a diretora das baianas, Damiana Nogueira, e a ex-rainha de bateria Soninha Capeta.

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