O Carnaval 2025 do Rio de Janeiro foi mais uma vez um espetáculo a parte, esse ano com o enredo homenageando o lendário diretor de Carnaval da Beija-Flor e responsável pela maioria dos campeonatos da escola, Laíla, a soberana de Nilópolis , que tem como Presidente Almir Reis e Presidente de Honra Anísio Abrãao David foi a grande campeã do Carnaval 2025 conquistando o seu 15º título.
O desfile arrebatador da azul e branco, empolgou a Sapucaí com homenagens a Laíla e despedida a Neguinho da Beija-Flor, voz oficial da escola desde 1976. A escola gabaritou em todos os quesitos julgados. A Beija-Flor de Nilópolis se mantém como a terceira maior vencedora do carnaval carioca, com 15 títulos, atrás apenas de Portela e Mangueira.
O desfile emocionou do inicio ao fim, componentes da escola campeã do Grupo Especial cantavam o samba às lágrimas. Para completar, a bateria levantou a passarela com a ousada paradona que durou quase um minuto, mostrando que torcedores da escola estavam com o samba-enredo na ponta da língua e fizeram um belo coro na avenida.
A Azul e Branca de Nilópolis contou a história de Luiz Fernando Ribeiro do Carmo, o Laíla, que morreu em junho de 2021 por complicações da Covid. Ele foi o responsável por uma sequência de títulos da Azul e Branco entre os carnavais de 1998 e 2018. A Beija-Flor foi campeã em 1998, 2003, 2004, 2005, 2007, 2008, 2011, 2015 e 2018, anos em que Laíla tinha a função de diretor de Carnaval. “Laíla de Todos os Santos, Laíla de Todos os Sambas”, assinado pelo carnavalesco João Vítor Araújo, entrou para a galeria de grandes desfiles da história da agremiação da Baixada Fluminense. Não só pela beleza plástica, como a frente exaltando o orixá Xangô, pai de cabeça de Laíla, mas também pela emoção da comunidade. Luxuosa, imponente e opressora a passagem pela passarela.
A homenagem destacou sua fé, pois Laíla, filho de Xangô e Iansã, era católico, umbandista, candomblecista e acreditava no povo cigano e nos pretos velhos. Além disso, o desfile fez questão de recordar suas produções musicais, incluindo os álbuns de samba-enredo que ele ajudou a criar ao longo das décadas. O desfile também fez referência aos seus trabalhos como o memorável “Ratos e urubus, larguem minha fantasia” de 1989, que marcou sua parceria com Joãosinho Trinta, alegoria que fechou o desfile em alta. A homenagem não se limitou à história na escola, mas também à sua trajetória espiritual.
Laíla, que amava a Beija-Flor e dignificava todo o trabalho produzido em prol da escola, certamente ajudou na conquista do título de campeã do carnaval de 2025. Gigante do Carnaval foi e sempre será um espírito de luz da agremiação. Seu nome está eternamente entrelaçado com a Beija-Flor de Nilópolis, escola que muito ajudou com suor, talento e espiritualidade. Ele transformava sonhos em desfiles, ideias em alegorias e fé em vitória. Sua presença transcendia o mundo físico; era uma força motriz que fazia os tambores ressoarem mais fortes, os sambistas pisarem mais firmes e a emoção transbordar na avenida.
O belíssimo desfile na Sapucaí trouxe para a Beija-Flor o primeiro lugar e voltará a desfilar amanhã, no desfile campeãs, junto com a vice Grande Rio, Imperatriz Leopoldinense, Viradouro, Portela e Mangueira. No oposto da tabela a Unidos de Padre Miguel terminou como última colocada e voltara à Série Ouro. A escola de Nilópolis não era campeã desde 2018, quando levou à Avenida o enredo “Monstro É Aquele que Não Sabe Amar. Os Filhos abandonados da Pátria que os Pariu”
Neguinho personalidade do Carnaval 2025
Ninguém conquistou mais prêmios em toda sua história que Neguinho da Beija Flor. Com 75 anos e 50 carnavais, Neguinho foi premiado com 15 títulos de campeão do Carnaval, 13 vice-campeonatos, 6 Estandartes de Ouro, sendo 5 como melhor interprete e esse de 2025 como Personalidade do Carnaval. Nenhum outro puxador de samba alcançou esse êxito.
Em seu último ano como intérprete, Neguinho da Beija-Flor emocionou o público na Marquês de Sapucaí. Ovacionado pela avenida ele agradeceu a oportunidade de cantar pela escola durante 50 anos e disse que evitaria um discurso longo para não se emocionar ainda mais.
Nascido no município de Nova Iguaçu, filho de músico, ganhou um concurso de cantores mirins aos 10 anos cantando um samba composto por Jamelão. Em 1970 estreou no bloco Leão de Nova Iguaçu. Somente em 1975 ele chegou a Beija-Flor a convite do Anísio Abraão David, onde disputa e ganha com o lendário samba de 1976 “Sonhar com Rei Dá Leão!, Carnaval campeão de Joãosinho Trinta.
Por cinco décadas, Neguinho foi a voz oficial da agremiação nilopolitana e associou seu nome e imagem ao samba carioca, gravando discos, fazendo shows e promovendo o estilo musical no mundo. “Eu ia parar em 2024, mas não posso deixar de homenagear esse grande amigo, irmão, meu primeiro produtor que é o Laíla”, disse Neguinho.