Beija-Flor com Laíla vai em busca de mais um título

Segunda a entrar na Marquês de Sapucaí na segunda-feira de Carnaval, a Escola de Samba Beija-Flor busca mais um campeonato com o enredo, “Laíla de Todos os Sambas, Laíla de Todos os Santos”, homenageando o diretor de Carnaval Luiz Fernando Ribeiro do Carmo, eternamente conhecido como Laíla. Reconhecido por seu trabalho na história do carnaval brasileiro, ele, que morreu em 2021, será celebrado por sua contribuição inestimável à escola e à cultura carnavalesca.
O enredo resgata sua trajetória com um dos pilares da Beija-Flor, despertando gratidão e admiração entre familiares, integrantes da escola e amantes do samba. O samba-enredo já dá uma prévia da importância de Laila na história do carnaval, reforçando o legado deixado por ele na Beija-Flor e no cora-ção dos apaixonados pela folia, e nos ensaios que aconteceram as quintas-feiras na quadra da agremiação, nos realizados na Avenida Mirandela e nos técnicos não foi diferente, dando demonstrações de como a trajetória do menino pobre do Morro do Salgueiro será contada, com muita empol-gação pelos componentes, com total apoio dos presidentes Anísio Abrão e Almir Reis.
Estarão presentes temas que Laíla gostava de ver desenvolvidos nos enredos como o reforço da cultura preta, de críticas sociais e reli-giosidade. De acordo com o carnavalesco João Vitor, diferentemente da época em que Laíla começou a inserir a reli-giosidade nos enredos da Beija-Flor, hoje é frequente as escolas trazerem esse tema. “É preciso lembrar que, quando o Laíla começou a trazer este tipo de enredo para o carnaval, todo mundo dizia que a Beija-Flor era uma escola que só falava de macumba, só falava de África. Hoje todo mundo faz o que Laíla fazia. Acho maravilhoso, na era da intolerância religiosa, o carnaval é uma forma de protesto, é um ato de resistência. Quando se pegam as 12 escolas do Grupo Especial e dez estão com enredo de temática África, trazendo religiosidade para a avenida, muita gente está reclamando. Ah! é só enredo afro, é só orixá. Não, isso é maravilhoso. Essas pessoas não estão enxergando o que está acontecendo aí fora, e o carnaval tem voz”, disse o atual carnavalesco da escola, João Vitor Araújo.
Para João Vitor, o enredo da Beija-Flor é um dos mais fáceis de compreender neste carnaval de 2025. “Por que Laíla de Todos os Santos? Porque eu pego ali três setores falando da religiosidade do Laíla, da fé. Tenho ali o ori ancestral, já que ele era um filho de Xangô com Iansã; segundo setor, a múltipla fé do Laíla, porque ele dizia que era católico apostólico romano, candomblecista e umbandista; e terceiro setor, a África como fundo de conhecimento e origem da ancestralidade. Então, eu fecho Laíla de todos os santo. No quarto, quinto e sexto setores, são o Laila de todos os sambas, quando falo do Laila produtor musical, muita gente não sabia. O Laíla responsável pelo sucesso de outras escolas de samba fora Beija-Flor e o último setor, o Laíla da Beija-Flor de Nilópolis e o reencontro dele com Joãosinho Trinta”, adiantou o carnavalesco.
João Vitor disse que chegou a ouvir o questionamento se Laíla poderia ser o tema de um enredo. “É porque as pessoas têm preguiça e, infelizmente, vivemos em um país preconceituoso. E é assustador quando uma pessoa olha para você e pergunta: ‘o Laíla dá enredo?’ Para mim, isso é puro preconceito. Elas associam à imagem rústica do Laíla, aquela cara fechada, sem-blante pouco amigável como uma pessoa que não merecia estar ali. Parece que a Beija-Flor é demais para o Laíla. Tudo que ele fez pelo carnaval e pela Beija-Flor de Nilópolis é digno de um, dois, três, quatro enredos. A Beija-Flor tem 14 títulos, 13 com Laíla. É muita coisa”, concluiu, ressal-tando que alguns pontos devem surpreender durante o desfile como o fato do Laíla ter sido um amante da música clássica, e essa parte da vida dele será representada por uma alegoria que mostrará uma orquestra.

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