O Ministério da Saúde informou esta semana que vai incorporar duas novas tecnologias para prevenir complicações causadas pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR) no SUS: a vacina Abrysvo, da Pfizer, e o anticorpo monoclonal Beyfortus, da Sanofi.
A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) já deu parecer favorável à inclusão das duas estratégias contra o vírus sincicial respiratório (VSR) no SUS. Segundo dados da secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS), o VSR é responsável por cerca de 80% de todos os casos de bronquiolite, principalmente entre os menores de 2 anos, e até 60% das pneumo-nias em crianças. Nessa faixa etária, a mortalidade em decorrência da infecção é maior.
A bronquiolite é uma síndrome respiratória que acomete as vias aéreas. A doença dificulta a chegada do oxigênio aos pulmões. O vírus se multiplica nas células do aparelho respiratório superior.
“As crianças brasileiras, com ou sem convênio, muito em breve poderão dispor de uma proteção contra o vírus sincicial respiratório, que é a principal causa de hospitalização no primeiro ano de vida”, disse o presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Renato Kfouri.
Até então, a principal opção disponível para a prevenção do VSR no SUS era o palivizumabe, destinado a bebês prematuros extremos (com até 28 semanas de gestação) e crianças com até dois anos de idade que apresentassem doença pulmonar crônica ou cardiopatia con-gênita grave.
Com a incorporação do nirsevimabe, a expectativa é ampliar a proteção para 300 mil crianças a mais do que o protocolo atual. Já a vacina para gestantes tem potencial para beneficiar cerca de 2 milhões de nascidos vivos.
“Quando a mãe recebe a vacina, os anticorpos produzidos por ela atravessam a placenta, fortalecendo o organismo do bebê, cujo sistema imunológico ainda está em desenvolvimento”, explica Adriana Ribeiro, diretora médica da Pfizer Brasil.
O anticorpo monoclonal contra VSR
O nirsevimabe é um anticorpo monoclonal indicado para a prevenção do VSR em recém-nascidos e crianças até 24 meses.
Desenvolvido pela Sanofi e aprovado em 2023 pela Anvisa, o nirsevimabe é uma proteína produzida em laboratório que imita a capacidade do nosso sistema imunológico de combater patógenos nocivos, como os vírus. Aplicado em dose única, oferece proteção direta e rápida, uma vez que o anticorpo pronto não exige a ativação do sistema imunológico.
No SUS, ele será indicado para todos os bebês prematuros e/ou portadores de comorbidades.
A expectativa da Sanofi é que, considerando os trâmites atrelados à incorporação, o imunizante possa ser disponibilizado na rede pública na temporada de VSR em 2026. Até lá, poderá ser encontrado na rede privada, que já contará com o produto para a sazonalidade de 2025, com a cobertura dos planos de saúde determinada pela ANS.